segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Ensino superior reprovado e ministro da educação comemora um Brasil cada vez mais capitalista

Como se já não bastasse o fato de o Brasil ter um terço de suas IES reprovadas, ainda precisamos aturar o Ministro da Educação Aloizio Mercadante afirmando que "os dados positivos se sobrepõem aos negativos" e que houve uma "melhoria generalizada".

Para a obrada feder um pouco mais, o dito ministro ainda tem o despautério de afirmar "que houve maior procura de alunos pelos cursos de engenharia e de áreas tecnológicas, do que para área de ciências sociais" e isso indica "que o País superou o período de estagnação econômica". Ou seja, a educação no Brasil está péssima e o Ministro comemora o fato de o Brasil estar cada vez mais a serviço do capitalismo.

De fato, uma maior procura pelos cursos de engenharia e pelos cursos das áreas tecnológicas é realmente importante, afinal de contas, no tipo de sociedade que vivemos é impossível vivermos sem esses profissionais. Contudo, em virtude do desenvolvimento técnico-científico estar atrelado ao desenvolvimento do capitalismo, afirmar ser melhor uma maior procura por essas áreas que as áreas de ciências sociais é descaradamente afirmar que é muito melhor atender as necessidades do capital que as necessidades humanas.

Até quando aceitaremos, tão passivamente, a lógica capitalista que nos governa?


MEC reprova um terço das faculdades do País

Um terço das faculdades brasileiras foi reprovado na avaliação do Ministério da Educação (MEC). Elas obtiveram nota 1 ou 2, consideradas insuficientes, no Índice Geral de Cursos (IGC). Numa escala de 1 a 5, das 1.516 faculdades avaliadas no País, 531 conseguiram apenas 1 (sofrível) ou 2 (ruim) - 95% delas são privadas. Se forem consideradas apenas aquelas com conceitos 4 e 5, elas somam apenas 118.


O IGC das instituições é composto pela pontuação dos estudantes concluintes do curso no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), equivalente a 30% da nota, pela titulação dos professores e seu regime laboral (vale 15%) e pelos índices de infraestrutura e organização didático-pedagógica da instituição (15%).

A nota máxima, 5, foi alcançada apenas por 16 faculdades, todas da Região Sudeste. A primeira da lista é a Escola Brasileira de Economia e Finanças, uma instituição particular do Rio de Janeiro. A pública melhor classificada é o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

O ministro Aloizio Mercadante informou que as instituições reprovadas serão severamente punidas com um conjunto de medidas a ser anunciado na próxima semana. "Não queremos que nossos alunos estudem nessas instituições", afirmou. Ele não quis antecipar as punições, mas disse que serão respeitados o processo legal e o amplo direito de defesa de cada uma.

Já está definido, porém, que as instituições com avaliações ruins (nota 1 e 2) ficarão de fora dos programas de financiamento público aos estudantes, como o Programa Universidade para Todos (ProUni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Os dados acima referem-se apenas às faculdades. Em um recorte que leva em conta somente as universidades, a situação é bem melhor. Das 221 universidades avaliadas, apenas 5% receberam nota 2. Nenhuma delas recebeu conceito 1. Das 10 instituições que conseguiram nota máxima, 4 são paulistas, 4 mineiras, 1 de Santa Catarina e outra do Rio Grande do Sul.

Avaliação. Mercadante considerou que os dados positivos se sobrepõem aos negativos e apontou uma "melhoria generalizada" na qualidade tanto dos cursos como das instituições avaliadas. "A evolução se deu tanto nas instituições públicas como nas particulares, num período de forte expansão das matrículas", comemorou. "Há uma série de esforços, de requisitos que estão levando à evolução", enfatizou.

Os dados de 2011 mostraram que houve maior procura de alunos pelos cursos de engenharia e de áreas tecnológicas, do que para área de ciências sociais, o que, segundo Mercadante, confirma a leitura de que o País superou o período de estagnação econômica. Ele criticou o desinteresse de parte da comunidade acadêmica pelo exame do Enade. "Quando o estudante não participa do Enade prejudica o próprio diploma e pune sua biografia", afirmou.

Para Luiz Cláudio Costa, presidente do Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão responsável pelo Enade, o processo amadurece ano a ano e o próximo desafio é "aprimorar a avaliação da infraestrutura e induzir as instituições a terem mais professores com dedicação exclusiva".

Fonte: Folha de Boa vista. http://www.folhabv.com.br/noticia.php?id=141992


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