Apesar do lindo (e enganoso) discurso de que a finalidade da educação é a formação (ou desenvolvimento) do Ser Humano, a educação, na sociedade capitalista, não passa de uma instrução (para não dizer adestramento) que serve de trampolim social. Essa perspectiva gera a visão de que a escola é um mal necessário, os professores são inimigos a serem vencidos e as avaliações obstáculos a serem superados. Daí a questão: Como levar a sério uma sociedade em que os sistema educacional é pensado a partir das informações fornecidas por um banco? Como achar positivo a matéria abaixo?
Uma educação verdadeiramente humanista, voltada para o ser humano e não para o mundo do trabalho, não para o capital é impossível em uma sociedade capitalista. Para os que acreditam na utópica (no bom sentido da palavra) superação da sociedade capitalista, o máximo que podemos fazer (atualmente e infelizmente) é preparar as bases para essa superação.
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EDUCAÇÃO LEVA À MOBILIDADE SOCIAL
Estudo do Banco Mundial revela que pessoas que passaram mais tempo na escola foram as principais beneficiadas por aumento de renda na América Latina
Ficou pronto na sexta-feira um novo estudo do Banco Mundial, com o título Economic Mobility and the Rise of the Latin American Middle Class (em português, Mobilidade econômica e a ascensão da classe média). O calhamaço de 200 páginas pode ser comprado on-line pelo site da instituição por US$ 25,95. O Brasil não está na lista dos países contemplados por um desconto de 20% na venda da publicação, afinal, como constata o próprio estudo, não se enquandra no perfil de um país de baixa renda.
O crescimento da classe média aqui está longe de ser uma novidade. Mas o estudo traz muitas informações relevantes sobre esse tema, ainda não esgotado. Em primeiro lugar, coloca as coisas em perspectiva. Os brasileiros tendem a olhar para o próprio umbigo sem perceber que fazemos parte de um contexto maior — comportamento que corretamente criticamos nos norte-americanos, sem, contudo, fazermos autocrítica.
O fato é que a classe média não cresceu só no Brasil, mas também nos nossos vizinhos. Em 2003 era composta por 103 milhões de pessoas em toda a região. Em 2009, passou a incluir 152 milhões, um crescimento de 48%. Hoje, 30% dos latino-americanos estão nesse estrato social e econômico.
A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) usa outros critérios de renda e vê 275 milhões de pessoas na classe média da região, o que equivale a metade da população. No Brasil, a Fundação Getulio Vargas chegou a resultado semelhante, apontando 53% dos brasileiros no que chamamos de classe C.
Mudança de classe
Mais importante do que quantificar essa camada social, o estudo do Banco Mundial mostra que 43% dos latino americanos mudaram de classe entre meados dos anos 1990 e o final da década passada. E ainda mais relevante é mostrar o quanto essa evolução foi desigual. As pessoas que passaram mais tempo Escola foram as principais beneficiadas por aumento de renda na América Latina.
Mais importante do que quantificar essa camada social, o estudo do Banco Mundial mostra que 43% dos latino americanos mudaram de classe entre meados dos anos 1990 e o final da década passada. E ainda mais relevante é mostrar o quanto essa evolução foi desigual. As pessoas que passaram mais tempo Escola foram as principais beneficiadas por aumento de renda na América Latina.
O problema é que a presença na sala de aula não depende de fatores aleatórios. Há, estatisticamente, uma forte correlação positiva entre lacunas de Ensino dos pais e dos filhos. Em um ciclo vicioso dos mais perversos, os problemas de aprendizado se transformaram aqui em doença hereditária.
São frequentes os exageros quanto às expectativas do que a Educação pode fazer para melhorar a trajetória das pessoas e o desempenho econômico dos países em que vivem. Demonstração disso é que a Europa, onde está talvez a maior parte das boas Escolas do planeta, segue em queda indefinida, sem descobrir o fundo do poço. É bom lembrar que não existe apenas um tipo de Ensino. São muitas as formas diferentes de informar e de aperfeiçoar talentos, ou então de miná-los por treino equivocado.
Sociedades com baixíssimo nível educacional como a nossa, porém, são as que têm mais a ganhar com o aumento da Escolaridade dos cidadãos, qualquer que seja o método de Ensino. A presença das crianças na Escola tem crescido — graças, entre outros fatores, à condicionalidade estabelecida por programas de transferência de renda. Mas não basta sentar as crianças diante de um Docente. É preciso que elas realmente aprendam.
Como melhorar
O debate sobre qualidade na Educação inclui muitos riscos, sobretudo o de embarcarmos na conversa dos vendedores de ilusões. Principalmente, os de equipamentos. Eles alardeiam a certeza de que não pode existir Escola com giz e quadro negro no século 21. Pode sim. Diante das carências da maior parte das Escolas do país, há muito o que melhorar independentemente da tecnologia. É claro que é o ideal é fazer tudo juntamente: melhorar a saúde dos Alunos, os edifícios das Escolas, os esquipamentos e os profissionais de Ensino. O que não se pode é achar que o computador vai proporcionar a maior parte desse ganho.
O debate sobre qualidade na Educação inclui muitos riscos, sobretudo o de embarcarmos na conversa dos vendedores de ilusões. Principalmente, os de equipamentos. Eles alardeiam a certeza de que não pode existir Escola com giz e quadro negro no século 21. Pode sim. Diante das carências da maior parte das Escolas do país, há muito o que melhorar independentemente da tecnologia. É claro que é o ideal é fazer tudo juntamente: melhorar a saúde dos Alunos, os edifícios das Escolas, os esquipamentos e os profissionais de Ensino. O que não se pode é achar que o computador vai proporcionar a maior parte desse ganho.
Grande parte da qualidade da Educação depende da formação do Professor e de seu estímulo para fazer um bom trabalho. Mas até nesse ponto há risco de embarcar em falsas ideais. A falácia corporativa nesse caso sugere que aumento de salário irá resultar em ganho proporcional de qualidade no Ensino. Não é assim. Embora a remuneração seja um poderoso instrumento de incentivo, qualquer pessoa que tenha conhecimento razoável em recursos humanos sabe que isso não funciona se for concedido indiscriminadamente. Ganhos salariais devem ser associados a metas de desempenho e de capacitação profissional. O bônus deve ser maior para os Professores que fazem pós-graduação, os que não faltam e os que conseguem fazer os Alunos aprenderem.
Há uma falácia que abarca as duas anteriores. É a do aumento das despesas com Educação em relação ao Produto Interno Bruto (PIB, simplificadamente o que se produz em um ano) do Brasil. Discute-se, no Congresso Nacional, a meta de elevar o atual patamar de 5% para 10%.
O país precisa mesmo é de metas de aumento de qualidade na Educação, o que exige, aliás, sofisticação bem maior do que o exercício aritmético sugerido no aumento das despesas em relação ao PIB. Talvez o país consiga chegar lá. Algo que atrapalha muito é que as lacunas de formação dos brasileiros prejudicam o próprio debate que tentam empreender sobre a Educação. E os tornam mais vulneráveis aos vendedores de ilusões. Eles sim, em geral, muito bem educados.
fonte: http://www.todospelaeducacao.org.br/comunicacao-e-midia/educacao-na-midia/24845/educacao-leva-a-mobilidade-social/
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